Severed

Bom, o que dizer de um jogo feito pelos mesmos criadores do épico Guacamelee? Guacamelee que com certeza é um dos melhores jogos feitos nos últimos anos. Severed, apesar de ser um projeto com um orçamento sem dúvidas mais baixo, só poderia ser de altíssima qualidade também.

Severed é um jogo que conta a história de uma menina que teve seu braço mutilado e perdeu a família. O jogo é sobre controlar a moça em suas lutas com espadas para recuperar os pais e o irmão. Um enredo relativamente simples, porém carregado de significação e, por que não dizer, emocionante.

Severed, a princípio, parece estranho. É um dungeon crawler, em primeira pessoa, e jogado principalmente com controles touch. Os controles físicos são usados exclusivamente para andar, todas as outras ações são realizadas com o touch. Quem vê isso acha que é uma desculpa porca para fazer um jogo de baixo orçamento, facilmente portável para celulares. Bom, ainda que seja, é preciso que se reconheça que é tudo implementado de maneira brilhante, bem feita e cuidadosa.

O jogo parece um Fruit Ninja, vez que você precisa fatiar inimigos com sua espada, e sua espada é controlada pelo seu dedo sendo esfregado na tela. Mas as similaridades param por aí. O combate é surpreendentemente complexo, com inimigos que se defendem, que têm proteções que precisam ser destruídas, que te atacam com força. É preciso atacar e defender no tempo certo, no ângulo certo. Golpes curtos são mais fracos, golpes longos são mais fortes. E a cadência do ataque é definida apenas por sua capacidade de esfregar o dedo na tela o mais rápido que puder. Alguns inimigos vão te atacar toda hora, outros vão atacar apenas se você deixá-los “crescer” o bastante (o ataque deles pode ser evitado dando umas surrinhas neles de tempos em tempos).

Com o tempo, você vai ganhando habilidades através de upgrades e poderes, que também podem ser melhorados através de upgrades. Essas habilidades tornam o combate mais fácil, porém antes de alguns bons upgrades elas são bastante fracas. Para fazer upgrades é preciso colecionar partes dos seus inimigos, assim quando você mata um, desde que esteja com a barra de foco cheia (a barra de foco enche conforme você vai lutando sem erros, sem ser bloqueado, sem levar dano e sem mudar de inimigo), você pode mutilá-lo, arrancando perninhas, olhos, mandíbulas, asas, que serão todas usadas para melhorar suas próprias habilidades. É possível achar partes escondidas em vasos pelo jogo também.

Assim, com tantas habilidades e inimigos diferentes, a abordagem que se faz no combate se torna um requisito essencial para vencer as lutas mais difíceis. Quem você vai atacar primeiro, quem você vai matar, quem você vai paralizar, quem você vai ignorar, de quem você vai roubar poderes (sim, é possível roubar poderes dos inimigos) é algo fundamental numa batalha, e que pode significar a diferença entre uma combate resolvido facilmente e uma luta em que você está destinado a perder. A luta é quase um puzzle.

Além das lutas, o jogo está recheado de puzzles para se avançar de uma sala a outra. Não são muito difíceis, são todos muito óbvios, ainda mais porque todas as salas em que há algo útil ou especial estão devidamente marcadas, e marcadas exatamente com o que há nelas, mas pelo menos é algo que exige algum, pelo menos algum, nível de raciocínio, o que é sempre bom de ser alternado com as lutas com monstros.

O jogo não vai muito além disso. Há as lutas com os bosses que, em geral, são mais fáceis do que as lutas normais. Com exceção do terceiro (e último) que me fez suar bastante. Para ajudar, quando eu estava quase derrotando o bastardo, o jogo deu crash. Enfim, falhas perdoáveis para um jogo recém-lançado.

Os gráficos são bem no estilo de Guacamellee. Esse estilo de desenho é muito bonito, eu gosto das cores. A trilha sonora também é agradável, porém não muito marcante (se bem que nenhuma trilha quase é marcante para mim, com minha memória musical horrível).

É ótimo ter um exclusivo de Vita a essa altura do campeonato, ainda mais vindo de um estúdio tão respeitado como o Drinkbox. É indie, mas já está no nível dos “AAA de indie”, se é que isso existe. Ainda que provavelmente não seja exclusivo por muito tempo, para todo mundo que ama o Vita é sempre bom ver que o mercado ainda o ama também, pelo menos um pouco, principalmente quando se vê um jogo de tanta qualidade. Acho que, inclusive, leva jogos touch a um novo patamar, pois consegue ter um combate complexo e inteligente utilizando unicamente controles touch.

 

Plataforma: PS Vita

Mídia: Digital

Forma de Aquisição: Comprei no lançamento, por R$ 41,31

Vale a Pena?: Esse preço é bem salgado para um jogo digital indie para Vita, eu paguei para mostrar apoio, se você não se importa muito com isso, vale esperar uma promoção decente

Nota: 8/10

Journey

Journey é um jogo que você precisa jogar para entender. E você precisa querer jogar, querer entender. Ele estava largado lá na minha biblioteca de jogos digitais do PS3, pois comprei, tentei jogar, mas simplesmente não estava no espírito. Esta semana eu estava e joguei e entendi. Talvez não tenha entendido tudo. Coisas grandiosas assim não são tão fáceis de pegar de primeira em sua plenitude. Mas uma parte acho mesmo que entendi.

Journey não pode ser avaliado simplesmente como um jogo. Talvez nem seja um jogo. É algo artístico. Não quero parecer hipster nem nada disso, mas essa é a realidade. Como o próprio nome do jogo diz, você está numa jornada. Basta ir do ponto A para o ponto B. E é agradável ir do ponto A ao ponto B. Os cenários são lindos, estonteantes. Principalmente a parte do deserto, é de deixar de boca aberta. As mecânicas do jogo são divertidas. O deslizar na areia, lembra um pouco os jogos de ski, mas sem os obstáculos para atrapalhar. O pulo, que na verdade é um voo, é muito agradável de fazer. E a música, a gente produz música, que tem muitas funções diferentes, como comunicação, ativar alguns mecanismos no jogo e por aí afora.

O jogo seria agradável de jogar sozinho. Mas o charme dele fica por conta do multiplayer. A jornada não é feita com você estando sozinho. Sempre tem alguém para te ajudar. É difícil descrever essa parte. Para cada um deve ter um significado diferente, porque para cada pessoa a relação com o companheiro de viagem se constroi de uma maneira diferente. Talvez você aprenda, talvez você ensine, talvez vocês aprendam juntos. Acho que na vida é assim, e nesse jogo também. Talvez a pessoa não ligue para você e só pense em si, talvez ela faça tudo por você. Você vai perder algumas pessoas, encontrar outras. Pensando bem, o jogo é uma grande metáfora sobre nossa própria vida e sobre os relacionamentos por que passamos.

Eu, particularmente, encontrei duas pessoas nessa jornada. A primeira infelizmente se perdeu rapidamente. Com a segunda, porém, a história foi diferente. Caminhamos juntos pela maior parte do jogo. Quando um não encontrava o caminho, o outro estava lá para dizer o que fazer. Quando o vento vinha e nos jogava, aprendemos juntos a nos esconder. Esperamos um pelo outro, uma atitude impressionante, pois seria fácil continuar andando e deixar o outro para trás. Fácil na teoria, pois quem quer perder o companheiro de jornada?? Por vezes íamos andando e eu já nem mais sabia quem era eu e quem era ele. Realmente impressionante. Outra mecânica legal é “abastecer” o cachecol do outro com nossa música para que ele possa pular/voar. Alimenta um sentimento de solidariedade.

Tudo isso alimentado por uma trilha sonora linda. Esse jogo é realmente uma obra-prima. Todo mundo que tem um PS3 ou PS4 deve jogá-lo o mais rápido possível, jogar antes que a base de usuários diminua de uma forma que não seja mais possível encontrar companheiros de viagem (esse, aliás, foi meu maior medo antes de jogar).

 

Plataforma: PS3

Mídia: Digital

Forma de Aquisição: Mercado Livre (R$ 15,00) – obs.: não faça isso, não é legal comprar jogos digitais pelo ML…

Vale a Pena?: Vale muito a pena.

Nota: 10/10

Assassin’s Creed III: Liberation

Assassin’s Creed Liberation não é nada mais que um jogo Assassin’s Creed, que todos estão carecas de saber como funciona. Provavelmente é o jogo mais feito segundo a mesma fórmula nos últimos anos, acho que ganha até de Call of Duty nesse aspecto. Não que seja ruim, longe disso, apenas pode cansar jogar absolutamente todos os que estão disponíveis. O diferencial de Liberation é que ele é portátil, jogo do Vita, e só isso já garante a compra.

Assassin’s Creed Liberation é, por isso, um desses (infelizmente poucos) títulos do Vita feitos para emular os grandes sucessos dos consoles, então é exatamente como um Assassin’s Creed de PS3, apenas com gráficos um pouco piores, mas a experiência é muito parecida. Justamente por isso se você se interessa minimamente por AC e tem um Vita, vai acabar curtindo esse jogo.

O jogo se passa em Nova Orleans, ainda sob o domínio francês. Nós controlamos Aveline, que é uma moça filha de um homem rico com uma escrava e que pertence à ordem dos Assassinos. A história do relacionamento do pai dela com a mãe é descrita através de páginas de diários, mas infelizmente eu não encontrei todas para descobrir certinho como for. De qualquer forma, o pai dela não é apresentado como um monstro branco mau, estuprador e racista, e é ótimo que o jogo não tenha se apegado a esse clichê. O relacionamento entre a filha e o pai é bom.

Por ter essas duas origens distintas, a Aveline consegue se misturar tanto dentre a alta sociedade como entre os escravos. Aliás, uma mecânica central do jogo é permitir que se vista roupas de escrava, de dama e de assassina, cada uma com suas vantagens e desvantagens. Por exemplo, como dama você não consegue correr nem escalar e é ruim na luta, mas os guardas tornam-se mais complacentes e você pode até suborná-los e seduzi-los. Como escrava é possível escalar e correr, mas fica-se fraca no combate e os guardas ficam extremamente intolerantes com cada desvio de conduta seu. Já como assassina, você tem todas as forças, mas é impossível se livrar totalmente da atenção dos guardas (tornar-se totalmente anônimo).

Enfim, Aveline luta pela libertação dos escravos, e é bem legal. No meio tempo você vai descobrindo conspirações e tudo o mais que se espera de um jogo AC, inclusive entre alguns líderes negros. Não me lembro com detalhes da história, porque ela é na maior parte completamente esquecível.

O combate é do tipo clássico de Assassin’s Creed: aperte quadrado até matar tudo o que tem na sua frente. Parece-me que mudaram isso nos jogos mais recentes, mas nas versões mais antigas, da old gen, é exatamente assim. É bom se esquivar às vezes, mas em geral é só sair distribuindo espadada. Eles também adicionaram um item overpowered que é a pistola, que é só atirar que o inimigo morre, não precisa nem mirar, nem nada. A única coisa que atrapalha é o tempo de recarregar. Tem também os venenos, que são tão OP quanto a pistola se os inimigos não estiverem te vendo.

O jogo se passa em quatro ambientações distintas. Tem a cidade principal que é Nova Orleans, tem os pântanos de Nova Orleans e tem algum lugar maia no México. Tem também algum outro lugar dos EUA (não me lembro onde), que tem neve e você encontra o protagonista do AC III normal. Acho que é Connor. Nova Orleans, com seus sobrados com varandas, não tem como não amar, especialmente depois de jogar Infamous 2. No Pântano é divertido pular de galho em galho para escapar dos trechos alagados. E tomar cuidado com os jacarés… As outras duas localidades são meio genéricas, não ficamos muito tempo nelas.

Outro aspecto divertido do jogo é o minigame de administrar navios e ficar levando mercadorias de um porto a outro. Eu levei prejuízos homéricos nesse minigame, pois sempre tinha um pirata para roubar minhas mercadorias ou uma tempestade para afundar meus navios. As águas são muito perigosas, o que torna difícil qualquer empreitada mais potencialmente lucrativa. Pelo menos juntei o bastante no final para comprar uma boa espada, o que é praticamente a única coisa que dá para comprar no jogo que é realmente útil.

Enfim, não tem muito que se possa dizer desse jogo. É um Assassin’s Creed, sem tirar nem por. A vantagem dele é que é você pode jogar quando está fazendo alguma coisa chata, tipo andar de ônibus ou visitar os parentes ou ficar na sala de espera do dentista. Quando você queria muito ter aquele PS3 para passar o tempo… Bom, agora você tem. Quase.

 

Plataforma: PS Vita

Mídia: Digital

Forma de Aquisição: Promoção da PS Store (R$ 32,00)

Vale a Pena?: Se você tiver um Vita e gostar pelo menos um pouco de AC, vale a pena sim ter um dos poucos “AAA” do portátil, agora se vale mais uma promoção meia bomba ou a mídia física para ser revendida depois, aí é com você.

Nota: 7,0/10

Call of Duty Black Ops

Eu me lembro de quando quis comprar esse jogo pela primeira vez para o Wii. Eu quase comprei mesmo, mas desisti pois estava jogando pouco, o preço era alto e eu tinha um medo irracional (será?) de zoar o videogame com jogos originais (li umas coisas a respeito disso na internet na época, não faço ideia o quanto de verdade tem nisso). Enfim, quando comprei o Playstation 3 pensei de novo em comprar esse jogo, mas fui postergando, porque o PS3 tem uma tonelada de FPS, e a maioria só vale a pena (dizem) se for jogar online, e eu não tenho muita paciência para jogar online com a curva de aprendizagem gigantesca e muitas vezes injusta. Além disso, tinha uma falta de costume com FPS, que me dava certa tontura (ainda dá, mas fiquei melhor depois de jogar alguns jogos em primeira pessoa).

O que me chamava a atenção nesse jogo era a possibilidade de sair por aí matando comunistas como um soldado americano lutando pela liberdade. Uns anos atrás eu tinha essa mentalidade meio macartista pro-americana. Não que hoje eu goste de comunismo, pelo contrário, mas é que o americanismo é tão zoado quanto… E nem tudo que eles dizem ser comunismo é mesmo comunismo, e muito menos merece ser combatido na base da bala.

Enfim, resolvi finalmente comprar o jogo para matar a curiosidade (e matar muitas coisas mais também, lógico). Não comprei para jogar online. Continuo com a mesma opinião sobre FPS online. E se é para jogar Call of Duty online é melhor comprar as versões mais novas, pelo menos tem menos hacks, menos viciados e você conhece os mapas ao mesmo tempo que as outras pessoas. Até tentei entrar em algumas partidas online nesse, mas cinco minutos foram o bastante para eu confirmar o que eu já pensava, que eu não teria paciência nenhuma com a curva de aprendizagem que o jogo requer. Enfim, joguei pela campanha.

Jogar Call of Duty pela campanha é algo que 10 entre 10 pessoas dizem para não fazer. Porém eu comprei o jogo baratinho, vou conseguir revender depois, então não é nada mal se divertir um pouco com um jogo desse tipo, história linear, cinematográfica, com muito sangue voando. Faz falta às vezes, num mundo lotado de jogos sandbox.

A história do jogo é completamente esquecível. Você joga como um soldado americano que sai por aí combatendo os soviéticos. Não, o jogo não tenta adicionar um pingo de profundidade, não faz uma crítica à guerra (faz mais uma exaltação), não se importa em retratar os soldados inimigos como algo melhor do que bestas selvagens que merecem ser abatidas. É tão impressionante que o seu personagem sequer é retratado como um herói moral, ele é mostrado como uma pessoa normal, que perde, que faz merda, enfim. Uma pessoa moralmente falha, mas que tem autoridade moral para mandar os outros para a vala, simplesmente porque os outros não são apenas moralmente falhos, são a personificação do mal. Quando se faz uma batalha do bem contra o mal por mais que isso seja inverossímil e raso, pelo menos é algo que se aproveita pelo menos como fábula. Quando se faz uma batalha do mal contra o pior tudo o que se alcança é a mais absoluta mediocridade. É vergonhoso em comparação a um jogo como Spec Ops the Line, mas é vergonhoso até em relação a GTA, pois até em GTA há um espírito mais crítico.

Talvez seja por isso que eu achei a violência no jogo meio impressionante. Sério, eu joguei Postal 2, em que a gente decepa os braços das pessoas, taca fogo nelas e depois apaga com mijo, tudo isso com elas ainda vivas e se contorcendo, dando risada e achando tudo muito divertido. Mas não pareceu tão gratuito quanto nesse Call of Duty, em que você corta a garganta de inimigos que estão dormindo e atira em inimigos que já se renderam e estão com as mãos para o alto e ajoelhados no chão. Se não houvesse essa preocupação em parecer moralmente superior essas coisas talvez não passassem de detalhes engraçados…

Enfim, agora que eu já descarreguei meus sentimentos negativos, eu passo a dizer que o jogo é muito divertido. O combate é agradável, as balas nunca faltam, os ambientes são diversificados. Lutamos no Vietnã, em Cuba, na Rússia. Lutamos contra os comunistas e até mesmo contra os nazistas (nesse caso, assumimos o papel de soldados russos). Lutamos também contra os ingleses, num dos momentos mais esquisitos do jogo. Há ambientes fechados, há ambientes abertos, trincheiras, florestas, rios, neve. Tem partes com barcos, com carros, aviões, helicópteros.

O jogo é feito para você se sentir o fodão. Mata hordas de inimigos meio burros, tem uma vida que se regenera com bastante velocidade, tá cheio de sequências cinematográficas em que você faz coisas lindas e impressionantes. Pode dizer o que quiser, mas encher a cara de inimigos de balas, um após o outro e ver os corpos se empilhando é bastante satisfatório… Só não é muito desafiador, nem exige um cérebro mais desenvolvido que o de um chimpanzé.

A jogabilidade simples é a de que se espera de um FPS. Mira, atira, pula, se abaixa… O essencial é feito com os analógicos. Dizem que FPS é melhor com mouse e teclado. Competitivamente é óbvio que sim, mas eu acho que no controle é mais divertido. A única tosquice fica por conta da mira automática, que é muito forte e sempre para bem na cabeça de um inimigo quando você aperta o botão de mirar.

Um ponto interessante do jogo é que tem muitos lugares em que há respawn eterno de inimigos. Você é forçado a avançar e tomar território, como deve ser feito numa guerra de verdade. Esses trechos exigem uma dose bem equilibrada de cautela e de agressividade. Outros lugares há o que é usual em jogos de tiro, ou seja, mate todos os inimigos para avançar, daí o jogo perde um pouco de profundidade (embora não seja de todo mau, porque acaba havendo um equilíbrio entre os dois tipos de situação, o que traz variedade).

Graficamente eu não consigo avaliar o jogo. Os gráficos obviamente são datados. Não sei como eram na época, mas meus olhos já estão mal acostumados com os gráficos da nova geração. Além disso, o jogo é muito cinza. Artisticamente eu gosto mais de jogos coloridos, com cores fortes e vibrantes.

A trilha sonora é adequada, pelo que me lembre. Tentaram criar um momento épico colocando “Sympathy for the Devil” durante uma das batalhas, mas a história do jogo é tão rasa, mas tão rasa, que ficou algo completamente deslocado e sem sentido.

Call of Duty é a expressão dos jogos modernos, feito para pessoas que não querem desafios, nem enrolação, nem uso do cérebro, apenas querem se divertir e se sentir bem. É competente no que faz, jogar isso é como assistir a um bom filme de besteirol. Não te acrescenta muito, mas te faz dar boas risadas.

Plataforma: PS3

Mídia: Física

Forma de Aquisição: Jogo usado no Mercado Livre (R$ 34,00)

Vale a Pena?: Acho que a essa altura todo mundo deve saber se esse jogo vale a pena ou não. De qualquer forma, peguei praticamente de graça, pois pretendo revender, então vale a pena, pois é divertido pacas.

Nota: 7,5/10

Sleeping Dogs: Definitive Edition

 

Bom, Sleeping Dogs é Sleeping Dogs. Na minha opinião é o melhor clone de GTA já feito, melhor que a maioria dos GTA’s, inclusive (no meu coração tem quase um empate técnico com o San Andreas, porém). Para quem gosta de um bom filme de kung fu (e para quem não gosta também), é o tipo de jogo certo.

A gente joga como Wei Shen, um policial infiltrado numa gangue, ou tríade, que é como são chamadas essas gangues chinesas. Acontece que ele não sabe muito bem com quem estão suas lealdades, com a polícia ou com a gangue. Assim, conforme o jogo passa vamos fazendo missões tanto para a gangue quanto para a polícia. Ah, e enquanto se combate as gangues rivais o serviço serve tanto para a polícia quanto para a gangue dele, lógico.

O gameplay do jogo é baseado principalmente no combate corpo-a-corpo, com técnicas de kung-fu. Assim, você sai por aí dando chutes na cara dos oponentes. Tem também muitas fases com combate com armas, talvez não devesse haver tantas, haja vista que o combate corporal é muito mais polido e divertido. Lembra o Batman, sendo que a chave para lutar bem é encaixar os combos e bloquear os ataques inimigos na hora certa. Pelo que joguei de Batman, porém, achei inferior a Sleeping Dogs. O jogo do morcego parece bem mais scriptado.

O jogo se passa em Hong Kong e essa ambientação é uma das melhores coisas do jogo. Primeiro porque a cidade é muito bonita, com todas suas ruas estreitas e tortuosas, seus letreiros de neon, o mar com os barcos, as rodovias, os templos… Depois porque tudo que tem ajuda a manter a pessoa imersa naquele ambiente. O jogo é recheado com comidas típicas de rua do lugar, é possível ir ao Karaokê (diversão preferida dos orientais para uma noite de sábado, é o que dizem), participar de uma aposta de briga de galo, rezar como um budista. Tem a mão inglesa que dá ao jogo um charme todo especial (e constantemente você se pega andando na contramão sem querer), e tem as músicas do jogo. É verdade que tem as rádios típicas de qualquer jogo GTA-like. Tem a de rock, a de rap, eletrônica e até de música clássica e por aí afora, mas também tem rádios com músicas chinesas, da música tradicional ao rap, rock e pop chineses. Isso é MUITO legal e introduz a gente a um tipo novo tipo de música a que não estamos acostumados.

Fora a linha de missões principais que são bem divertidas, cheias de ação, de tiroteio, pacandaria, perseguições, explosões, enfim, tudo o que procuramos num jogo assim e que possuem uma história bastante legal considerando que se trata de um mundo aberto, o jogo ainda possui várias missões secundárias, a maioria razoavelmente divertida. Dá para destruir bocas de fumo metendo porrada nos bandidinhos, dá para participar de corridas (as corridas têm um charme todo especial, dá para bater lateralmente nos carros adversários e destruí-los, uma jogabilidade bem arcade e divertida, que falta na maioria dos jogos de corrida atuais), dá para colecionar estátuas e trocar por novos golpes de artes marciais, para participar de casos da polícia e prender criminosos, tem as brigas de rua, que você tem que sobreviver a hordas de inimigos, demonstrando habilidades nas artes marciais… enfim, são muitas coisas.

Quando eu joguei pela primeira vez no PS3 tentei platinar, mas não tive paciência para ir até o fim. Agora, na segunda jogda, aí que não tive paciência mesmo para fazer tudo. Infelizmente o clima de imersão foi um pouco menor também. É triste como jogar pela segunda vez sempre mata um pouco aquele deslumbramento da primeira vez.

Bom, além da história principal, a Definitive Edition também possui as duas DLC’s do jogo. Uma delas se passa num mundo de fantasmas que querem destruir o mundo, todo mundo vira zumbi/fantasma e você tem que destruir essas pragas. É cheia de bugs, mas é legal. Se foca bastante no combate corpo a corpo. É algo meio bobo, mas que pode ser terminado em 1 hora, então fica divertido. É o Nightmare in North Point.

Tem também o Year of the Snake que é um simulador de Alckmin. Você atua como policial que precisa ir atrás de um grupo de terroristas malucos que querem destruir o mundo no dia de ano novo (não entendi bem o porquê, já que para eles o mundo ia acabar mesmo). Impressionantemente você pode fazer tudo o que sempre sonhou: roubar carros das pessoas em nome da lei, encher criminosos de porrada e de choques e depois algemá-los e tacá-los no chão, abrir a porta do carro com a cabeça do suspeito algemado e tacá-lo no banco traseiro, dissipar manifestações descendo porrada nos manifestantes (inclusive agredindo-os com as próprias placas que eles levam) e também dando tiros de gás lacrimongênio na cara deles, espancar pessoas que já se renderam enchendo-as de chutes enquanto estão deitadas e batendo a cabeça delas contra a parede. Enfim, o sonho molhado de quem assiste Datena demais. Além dessas coisas, o jogo possui perseguições policiais de carro e muitos tiroteios. Curti bastante.

Sleeping Dogs, na minha modesta opinião, é um dos melhores jogos estilo GTA já feitos. Tudo é legal, da história à ambientação, a jogabilidade, os carros, as músicas… Infelizmente nessa segunda jogada eu não me diverti tanto quanto da primeira, pois não tem jeito, a primeira vez é sempre mais imersiva, pois é tudo novo. Um jogo essencial para quem curte um bom jogo de ação.

Plataforma: PS4

Mídia: Digital

Forma de Aquisição: Promoção da PSN (30 reais)

Vale a Pena?: Óbvio que vale, um jogo cheio de conteúdo, dá para comprar sem medo.

Nota: 10/10

Tearaway

Tearaway é um jogo de plataforma 3d que se passa num mundo feito de papel. Quer dizer, talvez dizer que é um jogo de plataforma seja meio inadequado. O jogo tem, de fato, elementos de plataforma e esses momentos são o predominante em termos de gameplay, mas o jogo é bem mais que isso

No jogo você controla um mensageiro que tem que levar uma mensagem para Você. No caso Você é você mesmo. E o jogo usa maravilhosamente os recursos do Vita, como a câmera, para te colocar de fato no jogo. O tempo todo você estará se vendo no jogo através de fotos ou através de filmagens em tempo real. Na maior parte do tempo Você será o sol, e o sol vai aparecer com sua cara sendo filmada ao vivo (estilo Teletubbies), mas às vezes o jogo vai pedir para você tirar uma foto e essa foto vai começar a aprecer em todo canto. Ou então a filmagem do mundo real vai aparecer em outros lugares além do sol.

Aliás, o jogo constantemente te pede para fazer coisas que vão aparecer durante o jogo. O mais legal que eu achei foram os flocos de neve. Eles te pedem para desenhar um floco de neve e esse floco é reproduzido o tempo todo durante a fase que tem neve. A neve que cai é a neve que você desenhou. Alguns NPC’s vão te pedir para fazer outros desenhos. Por exemplo, um esquilo vai te pedir uma coroa, outro vai pedir para você desenhar olhos malvados para um monstro e por aí vai. Tudo isso vai aparecer no jogo. Outras vezes o jogo vai pedir para falar no microfone, e é legal ver o som ecoando por aí, com sua voz. Por fim, alguns vão te pedir para você tirar fotos do seu mundo e essas fotos vão ser usadas como decoração, ou para compor alguma paisagem. É impressionante jogar um jogo em que você está literalmente dentro.

O gameplay é típico de plataformas, pular de um canto para o outro para chegar ao outro lado. Ele está integrado, porém, com o uso das funções do vita, principalmente do touch traseiro, que é usado para batucar e auxiliar em alguns pulos, ou para ser pressionado de forma com que seus dedos apareçam no jogo. Obviamente que você não fura o vita e seus dedos aparecem lá, mas a impressão que dá é exatamente essa. Daí você usa “seus dedos” para matar inimigos ou mover algumas plataformas. Funciona, mas às vezes apresenta algumas falhas irritantes, os dedos ficam desaparecendo, enfim.

No meio das sessões de plataforma tem sempre uns inimigos que aparecem. São os retalhos, bichinhos maus que querem destruir o mundo. As lutas com eles são divertidas, mas meio simples. Basta fazer com que eles virem de ponta cabeça e então jogá-los na parede ou contra outros retalhos, eles morrem fácil assim.

A dificuldade do jogo não é muito grande. Afinal quando você morre, você voltar exatamente no ponto onde estava, e às vezes até à frente, te poupando o esforço de tentar um trecho meio espinhoso em que você morreu no finalzinho.

A parte final do jogo se foca em um gameplay um pouco mais tradicional de plataforma com um nível de desafio um pouco maior. Não que seja difícil, bem longe disso, mas é menos fácil que o resto do jogo.

Graficamente o jogo é bonito. Não tanto pela qualidade gráfica excepcional, mas pelo estilo de arte, que é feito todo em esculturas com papel. Além disso, há uma certa integração com as fotos e filmes que você mesmo faz, fica bem intressante. O jogo apresenta infelizmente uma queda ou outra no framerate, o que é normal no Vita, que tristemente tem pouca memória ram.

Quando eu comecei a jogar achei que seria um jogo muito infantil. Com o tempo fui percebendo que tal como Little Big Planet ou o jogos da Nintendo é um jogo feito para pessoas de todas as idades. Uma experiência muito interessante num jogo que é must have para qualquer proprietário de Vita.

Plataforma: PS Vita

Midia: Digital

Forma de aquisição: Promoção da PS Store (R$ 16,40)

Vale a Pena?: Como eu disse, must have para donos de Vita, a não ser que esses donos prefiram gráficos realistas e jogos com “visual de adulto”. Naturalmente, espere as promoções na PSN o que é regra para qualquer jogo de Vita.

Nota: 8,0/10

Teslagrad

Então, vamos falar sobre Teslagrad. Teslagrad é um jogo de puzzle/plataforma, com alguns mínimos elementos de metroidvania e situado numa ambientação bem steampunk. Você controla um menino de capuz que está tentando… tentando… bem, não sei o que ele está tentando.

O jogo simplesmente te joga numa torre, não diz o que fazer, como fazer ou o porquê de você estar fazendo aquilo. No início do jogo isso chegou a me incomodar, pois a falta de propósito pode ser meio frustrante. Com o tempo, porém, eu fui sacando qual era a do jogo e tudo ficou mais agradável.

Os puzzles são baseados no uso de propriedades eltromagnéticas dos poderes que você vai ganhando com o tempo. Há a energia vermelha e a azul, sendo que as opostas se atraem e as iguais se repelem, o que é usado para a resolução dos puzzles. Há também um poder que te permite atravessar grades e, algumas paredes e energia elétrica, bem como se mover a uma velocidade maior horizontalmente (uma espécie de “pulo” lateral).

Achei os puzzles bem inteligentes e bem feitos, alguns óbvios, outros de rachar a cabeça, e muitos que exigiam, além de raciocínio, muita perícia na execução. Para quem gosta de ser desafiado, é um ótimo jogo, não achei defeitos nesse sentido. Os controles respondem muitíssimo bem, inclusive.

Além das partes de puzzle, há as partes em que há boss fights. As lutas contra os chefes são muito bem construídas. É daquele tipo que você precisa jogar 10, 20, 30 vezes para aprender os padrões e, depois de aprender os padrões, executar os movimentos com perfeição. Não se pode errar nenhuma vez, porque é sempre one hit kill. Por mais que pareça difícil, a vontade é sempre de tentar mais uma vez. São curtas, o que torna o processo não muito frustrante. As habilidades usadas nessas lutas são as mesmas adquiridas ao decorrer do jogo, porém são usadas de maneira diferente, mais voltada ao combate, o que torna interessante a mescla entre os puzzles e as lutas com chefes.

Ao longo do jogo você deve coletar, também, alguns pergaminhos. Eles ficam meio escondidos, em lugares em geral de difícil acesso. Cada pergaminho te dá um troféu e pegar todos já te garante a platina. Não sou tão fanática assim por troféus, então não tentei pegar todos. Além disso, se pegar pelo menos 15 pergaminhos você consegue zerar o jogo com o “final verdadeiro” (embora eu não tenha descoberto como acessar o “final falso”, então no fim do jogo eu fui catar os pergaminhos que faltavam para os 15). Pegar esses pergaminhos é um desafio à parte, e adiciona alguns puzzles extras à jogatina. Mais um ponto positivo para o jogo.

Artisticamente o jogo é bem bonito. Tem gráficos até que bonitos para um plataforma indie 2d (não pixelaram, motivo para comemorar), mas o que chama mesmo atenção é a arte, tudo bem bonito e bem feito, acho que com lápis de cor.

O que eu não curti foi a maneira minimalista de contar a história. Sinceramente não entendi nada. Eles mostram algumas animações com desenhos, mas nenhum diálogo ou coisa assim. Não faz meu estilo, definitivamente. Mas tudo bem, já que o que menos importa nesse jogo é a história.

Teslagrad é um jogo de puzzle delicioso, difícil em muitos trechos, tanto nos quebra-cabeças quanto nas boss fights, e justamente por isso recompensador, tudo isso sem se tornar frustrante, pois de alguma forma o jogo te desafia e motiva a continuar, mesmo quando a dificuldade parece insuperável. Ótima escolha para quem curte jogos do tipo.

 

Plataforma: PS Vita

Mídia: Digital

Forma de Aquisição: Jogo da PSN Plus

Vale a Pena?: Se você curte puzzle platforms vale cada centavo que você venha a gastar…

Nota: 9,5/10